Campanha Gente É Pra Brilhar, Não Pra Morrer de Fome

Outubro 2021

A fome não é um produto da pandemia, ela tem cor, classe e gênero. É uma expressão biológica de um problema social, uma ferida aberta, normalizada e invisibilizada. É uma questão histórica que tem raízes nas desigualdades estruturais e que impede a nossa sociedade de brilhar. É inadmissível que o Brasil, nesse início do século XXI, tenha retornado ao “mapa da fome” do mundo, conforme a FAO. Sair dele novamente é um dos principais objetivos democráticos de todos os atores sociais empenhados na construção de uma sociedade moderna saudável e feliz.

No Brasil a publicidade governamental diz que a agricultura brasileira alimenta 1 bilhão de pessoas no mundo, mas, na realidade, seu atual modelo produtivo demonstra incapacidade e insensibilidade para alimentar plenamente mais da metade da população de nosso próprio país. É esse o contingente de pessoas que atualmente convivem com a fome (estamos falando de toda população em situação de rua e de 55,2% dos domicílios brasileiros). É um modelo insustentável, que promove políticas como o incentivo ao uso de agrotóxicos, hoje responsável pela presença de agentes nocivos à saúde humana em nossas águas, em doses até 300 vezes superior ao que se verifica nos EUA ou em qualquer país da Europa, isso sozinho prejudica todo nosso sistema imunológico que tanto precisamos fortalecer! Num quadro histórico tão crítico como o presente, o governo ainda aniquila todas dotações orçamentárias das políticas alimentares e bloqueiam acesso a fundos disponibilizados que suportariam justamente as ações de caráter mais redentor, privilegiando a produção de commodities exportáveis, ao invés da produção de comida para nosso povo.

Fica evidente que a imposição da fome à população, cada vez mais acentuada, só pode fazer parte do projeto político nacional que está sendo praticado pela atual administração do país, apoiada por setores da elite econômica internacional interessados em explorar nossos recursos naturais além de seus limites e ampliar seus privilégios financeiros.

Continuamos hoje com os mesmos impasses sociais em decorrência da brutal e histórica concentração de renda que resulta em 14,7 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza, sendo que 2 milhões de famílias ingressaram nessa situação sub-humana entre 2019 e 2021.Trazer de volta essa enorme multidão à condição de cidadãos e cidadãs é o objetivo central das lutas pela democracia enlaçadas com a luta pelo direito a uma alimentação digna e saudável.

Estamos convictos que a solução dos problemas alimentares do povo brasileiros passa pelas seguintes estratégias:

Participação democrática da sociedade civil organizada, que deve se sentar à mesa das tomadas de decisões nacionais.

Estímulo irrestrito à agricultura urbana, diminuindo os circuitos de distribuição de alimentos e recriando o convívio com a natureza e os laços solidários nas cidades.

Estímulo irrestrito à agricultura familiar campesina de base agroecológica, que funciona bem em várias escalas; é capaz de gerar grande volume de empregos; demonstra capacidade de produzir em aliança com a natureza; mitiga os impactos das mudanças climáticas e é parte da essência da nossa rica e preciosa cultura popular.

Realização da Reforma Agrária Popular, democratizando o acesso à terra, ao atendimento técnico rural, ao crédito e ao circuito de fornecimento de alimentos saudáveis para a população.

Erradicação da miséria, implantando uma renda mínima cidadã de R$600,00 mensal, acabando com o teto de gastos sociais, promovendo uma política econômica que redistribua a renda, através da geração de emprego e da taxação das grandes fortunas.

Educação alimentar e o fortalecimento e fomento das diversas modalidades de assistência alimentar, inspirando e promovendo a auto-organização da sociedade, ao estabelecer alianças e parcerias entre os atores mais variados, através de laços de solidariedade.

Fortalecimento das políticas públicas de aquisição de alimentos da agricultura familiar, como PAA e PNAE, instrumentos cruciais para assegurar alimento saudável na mesa do conjunto da população, fortalecendo aqueles que viabilizam este tipo de produção

Regulação dos preços dos alimentos, da água, do gás a patamares adequados. Deve haver sim, mecanismos e saídas quando se pensa coletivamente para superar problemas! Para isso que se é Governo. Extinguir a política dos estoques regulatórios da CONAB é uma tendência que “não serve para o Brasil”

Reativação imediata do programa 1 Milhão de Cisternas que quer dobrar a meta para esse ano.

Esse é o caminho mais efetivo na direção à superação da fome.

É preciso se organizar melhor para exigir, cada vez mais e de forma eficiente, uma postura responsável e ética por parte do poder público, agente detentor (e mediador) dos recursos financeiros e estruturais para que este caminho seja trilhado na escala adequada a um país continental. As inúmeras iniciativas em todo o país, apontam para a crescente tomada de consciência fundamental para a construção de um Brasil Livre da Fome, abundante e soberano por natureza.

A VIDA NOS CONVOCA COMO NUNCA ANTES, a fortalecer a luta coletiva para a superação da fome e que tomemos coletivamente a firme decisão de trilharmos juntes um caminho de fato sustentável para a produção e distribuição de alimentos. Que este caminho seja perene no que tange a trazer segurança alimentar e nutricional para toda a população brasileira.

GENTE É PRA BRILHAR, NÃO PRA MORRER DE FOME!*

SOBERANIA ALIMENTAR JÁ!

*Uma campanha colaborativa promovida pelo coletivo Banquetaço e inúmeros parceiros fundamentais na luta pelo Direito Humano à Alimentação e Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis. É também um laboratório de mobilização cultural e política para ampliar às narrativas, ações e demandas daqueles que estão brilhando e fazendo a diferença na vida de milhões de brasileiros nos mais diversos territórios.

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